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quarta-feira, 8 de abril de 2015

Artigo - Etapas da Vida? - Luciano Sampaio


Há muitos jeitos de entendermos a vida humana. Uns creem em Deus, outros não. Uns defendem a reencarnação, já outros a ressurreição. Cada um tem suas convicções, sua forma de ver a realidade. Estive na Índia e visitando templos aos deuses (80% da população é hinduísta, 2% católica), admirava as expressões de fé daquela gente. Vivemos e sentimos a vida a partir das nossas crenças, da nossa formação consciente ou inconsciente. O importante é o respeito à diversidade de crenças e lutarmos pela liberdade e dignidade da pessoa humana, se esta é desrespeitada.
Estamos vivendo o tempo pascal. Refletindo sobre a vida humana, pude identificar quatro etapas, tendo em vista o olhar cristão, o plano de Deus para nós, que, resumidamente, compartilho.
Primeira: vida intrauterina. Inicia-se o mistério da vida. Vida que recebi como dom divino: Deus me quis. Sou uma escolha amorosa de Deus. Escolheu-me homem ou mulher e introduziu-me seu Espírito: sua essência. O divino integra-se no humano. E deu-me pai e mãe, que devem me acolher, amar e educar.
Segunda: vida no mundo. Ganhei a vida, nasci. Inicia a infância, que se caracteriza por dependência: ser cuidada. E sofrerei consequências (traumas), se isso não acontecer a contento. Passo por aprendizagens familiares, escolares e culturais. Adquiro crenças. Segue, “se Deus quiser”, o ritmo natural da vida: adolescência, juventude, vida adulta e velhice. Oportunidades que tenho para fazer escolhas, tendo em vista a realização pessoal e social. Serei fruto das minhas escolhas, boas ou ruins.
Terceira: a morte. Qual é o sentido cristão da morte? Se no útero ganhei a vida, se cumpri meu tempo e minha missão neste mundo, cabe-me, na hora da morte, como fez Jesus na cruz, oferece-la ao Pai (Deus), entregando-me com esperança e fé: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito”. Volto aos braços de quem me deu a vida. Lembro-me do Sr. Pedro (de Belo Horizonte/MG), que com câncer terminal, dizia-me: “De Deus eu vim, para Deus eu volto”. E da Ir. Lucília (cunhada), que clamava na agonia da morte: “Paizinho, vem me buscar.”
Quarta: a ressurreição. Com a morte estamos nas mãos de Deus, que, em sua infinita misericórdia, nos ressuscita, como fez com Jesus. A ressurreição é a vivência da plenitude da vida no Reino de Deus, que Jesus tanto anunciou. Esta é minha crença. Amém?
Luciano Sampaio
Psicanalista

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Artigo - O amor é curativo - Luciano Sampaio


Atendi em terapia uma jovem a quem, inicialmente, perguntei: Em que posso lhe ajudar? Respondeu: “A conhecer-me melhor e a me libertar. Pois não me entendo, nem sei por que sinto tristeza, angústia e um vazio dentro de mim. A vida sem sentido. Sem gosto de viver. Sou depressiva.”
Com ela vieram seus pais. E, como de costume, conversei antes com eles. Perguntei à mãe três coisas básicas. Primeira: Quando você ficou grávida desta filha, como se sentiu? Disse: “Foi horrível. Rejeitei-a. Ainda namorava, e aconteceu. Não foi esperada. Tive medo dos meus pais e vergonha das pessoas.” Segunda: Como foi o parto? Respondeu: “Chegou o dia, ela não nascia, o médico fez parto cesariano.” Terceira: Deu de mamar? Resposta: “Não! Incrível, ela não quis mamar. Rejeitava meus peitos.” A mãe completou: “Eu sinto que ela não gosta de mim. Tem uma revolta e é grosseira comigo. Sei, hoje, que sou culpada pelo sofrimento dela.” Ao pai perguntei: Quando criança, você brincava com ela, era carinhoso? “Pouco”, disse ele. “Na verdade, eu e minha esposa trabalhávamos muito e quem cuidava dela era a babá. Mas percebo que ela gosta mais de mim do que da mãe.” E a mãe concluiu a conversa: “Minha ausência foi tanta, que ela chamava a babá de mãe. Era triste.”
A partir desses relatos dos pais, entendi o sofrimento da filha. Era uma vítima das rejeições vividas. O inconsciente registrou tudo desde os primeiros instantes de vida no útero materno. E estava repercutindo em sua vida atual.
O ser humano, para viver um futuro saudável, com saúde física, psíquica e emocional, precisa ser acolhido e amado desde o ventre materno. Ele necessita ser cuidado e acompanhado com amor em cada fase do seu desenvolvimento. Fases: oral, anal, fálica e da latência. As falhas ou omissões nestas fases geram neuroses profundas, como as dessa filha.
O inconsciente é literal, não analisa nem julga o que recebe, ao contrário, registra e executa o que é introjetado, sem que a pessoa tenha consciência das causas dos sintomas que vivencia. Ele registra os fatos com os sentimentos do momento e revive-os depois.
Traumas profundos como o relatado podem ser ressignificados por atitudes e terapias que atinjam, amorosamente, suas causas, trabalhem o perdão e restaurem o gosto de viver no mais profundo do ser humano.
Luciano Sampaio
Psicanalista e hipnólogo
lucianosampaio53@gmail.com

sábado, 12 de julho de 2014

Artigo - A Copa, esportes, jogo e hipnose - Luciano Sampaio


Estamos vivenciando nestes dias, no Brasil, a Copa Mundial da FIFA 2014. Torcedores e admiradores dos esportes do mundo inteiro voltam seus olhares, suas atenções e emoções para os jogos que acontecem nas doze cidades sedes da Copa no Brasil. Em Fortaleza, já aconteceram no Castelão os seis jogos previstos. As Arenas cheias, o que confirma cada vez mais a paixão dos brasileiros pelos esportes, sobretudo o futebol, e a importância destes como agregador de povos e nações. Sabemos que Nelson Mandela, quando presidente da África do Sul, conseguiu a integração entre brancos e negros através dos esportes.
Assim, os governos, em suas diversas instâncias (municipal, estadual e federal), deveriam promover mais os esportes (sem menosprezar educação e saúde), possibilitando que os jovens foquem a vida em algo que lhes possibilitem saúde física, psíquica e emocional e evitem vícios e drogas doentias.
Sim, através dos esportes se podem priorizar, além dos cuidados físicos, as dimensões psíquicas e emocionais dos jovens. Vimos tantas violências durante os jogos desta copa: mordida, chutes, empurrões, porradas traiçoeiras (por ódio, ciúme, inveja?) nas cortas de adversários, como ocorreu com o nosso querido e guerreiro Neymar, que, infelizmente, o impediu de continuar jogando na copa. São oportunidades para se refletir com os jovens sobre a importância do equilíbrio emocional, do limite e do respeito ao outro como ser humano, muito embora o ímpeto da competição que a hora provoca.
Mas, como hipnólogo, vi-me pensando nestes dias de Copa, na relação entre o esporte, o jogador, a bola e a hipnose. Sabemos que hipnose acontece no nosso dia a dia. É que hipnose nada mais é do que propor alguém a focar num ponto, exclusivamente, num ponto, esquecendo-se tudo o mais em sua volta, tendo em vista alcançar um objetivo através do transe. É quando há uma dissociação consciente de toda e qualquer realidade em sua volta, e a pessoa passa a se concentrar em seu interior, num foco, num objetivo, tendo em vista alcançá-lo. Quando, por exemplo, estou lendo um texto e toda a atenção é entender o que leio e aonde quer chegar o autor, estou ali num foco, com um objetivo e tudo o mais, externamente, fica de lado. A concentração é tamanha, que pode haver uma música alta lá fora e não escuto nada. Isso é hipnose!
Se no futebol jogar é uma arte de mover a bola tendo em vista fazer gols e ganhar a partida, a hipnose é também uma arte de conduzir alguém, através de sugestões, com o objetivo de conquistar o transe hipnótico e possibilitar ressignificações na mente dessa pessoa.
Quando um jogador, por exemplo, foca numa jogada, conduzindo a bola com o objetivo de fazer gol, e naquele momento se esquece de tudo lá fora, não escutando nem a torcida, isso é hipnose.
Luciano Sampaio
Psicanalista e hipnólogo

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

A Impermanência e os Ciclos da Vida - Eckhart Tolle



Existem ciclos de sucesso, como quando as coisas acontecem e dão certo, e os ciclos de fracasso, quando elas não vão bem e se desintegram. Você tem de permitir que elas terminem, dando espaço para que coisas novas aconteçam ou se transformem.
Se nos apegamos às situações oferecemos uma resistência nesse estágio, significa que estamos nos recusando a acompanhar o fluxo da vida e que vamos sofrer. É necessário que as coisas acabem, para que coisas novas aconteçam. Um ciclo não pode existir sem o outro.
O ciclo descendente é absolutamente essencial para uma realização espiritual. Você tem de ter falhado gravemente de algum modo, ou passado por alguma perda profunda, ou por algum sofrimento, para ser conduzido à dimensão espiritual. Ou talvez o seu sucesso tenha se tornado vazio e sem sentido e se transformado em fracasso.
O fracasso está sempre embutido no sucesso, assim como o sucesso está sempre encoberto pelo fracasso. No mundo da forma, todas as pessoas “fracassam” mais cedo ou mais tarde, e toda conquista acaba em derrota. Todas as formas são impermanentes.
Um ciclo pode durar de algumas horas a alguns anos, e dentro dele pode haver ciclos longos ou curtos. Muitas doenças são provocadas pela luta contra os ciclos de baixa energia, que são fundamentais para uma renovação. Enquanto estivermos identificados com a mente, não podemos evitar a compulsão de fazer e a tendência para extrair o nosso valor pessoal de fatores externos, tais como as conquistas que alcançamos.
Isso torna difícil ou impossível para nós aceitarmos os ciclos de baixa e permitirmos que eles aconteçam. Assim, a inteligência do organismo pode assumir o controle, como uma medida autoprotetora, e criar uma doença com o objetivo de nos forçar a parar, de modo a permitir que uma necessária renovação possa acontecer.
Enquanto a mente julgar uma circunstância “boa”, seja um relacionamento, uma propriedade, um papel social, um lugar ou o nosso corpo físico, ela se apega e se identifica com ela. Isso faz você se sentir bem em relação a si mesmo e pode se tornar parte de quem você é ou pensa que é.
Mas nada dura muito nessa dimensão, onde as traças e a ferrugem devoram tudo. Tudo acaba ou se transforma: a mesma condição que era boa no passado, de repente, se torna ruim. A mesma condição que fez você feliz agora faz você infeliz. A prosperidade de hoje se torna o consumismo vazio de amanhã. O casamento feliz e a lua-de-mel se transformam no divórcio infeliz ou em uma convivência infeliz.
A mente não consegue aceitar quando uma situação à qual ela tenha se apegado muda ou desaparece. Ela vai resistir à mudança. É quase como se um membro estivesse sendo arrancado do seu corpo.
Isso significa que a felicidade e a infelicidade são, na verdade, uma coisa só. Somente a ilusão do tempo as separa. Não oferecer resistência à vida é estar em estado de graça, de
descanso e de luz. Nesse estado, nada depende de as coisas serem boas ou ruins....
Observe as plantas e os animais, aprenda com eles a aceitar aquilo que é e a se entregar ao Agora. Deixe que eles lhe ensinem o que é Ser. Deixe que eles lhe ensinem o que é integridade – estar em unidade, ser você mesmo, ser verdadeiro. Aprenda como viver e como morrer, e como não fazer do viver e do morrer um problema.
Eckhart Tolle, em “Praticando o Poder do Agora” (garimpado do blog despertandonaluz.blogspot.com.br)

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Amar é libertar-se do medo - Gerald Jampolsky



Você algum dia já se deu a oportunidade de passar apenas um dia concentrando-se em aceitar completamente todas as pessoas e não fazer julgamentos? A maioria de nós acha essa tarefa muito difícil, pois é raro passarmos alguns momentos - quanto mais um dia inteiro - sem fazer um julgamento. Quando pensamos no assunto, muitos de nós ficamos consternados com a frequência com que condenamos os outros e a nós mesmos. Às vezes sentimos que é quase impossível parar de julgar. No entanto, tudo o que realmente precisamos é a disposição de começar a praticar não fazer julgamentos, a não esperar uma perfeição absoluta. O abandono de velhos hábitos vem com a prática repetida e constante.
A maioria de nós manifesta um estado que poderia ser chamado de "visão de túnel". Não vemos a pessoa como uma totalidade. Vemos apenas um fragmento da pessoa, e nossa mente muitas vezes interpreta o que vemos como defeito. A maioria de nós foi criada num ambiente doméstico e escolar que enfatizava a crítica construtiva, que, na verdade, em geral, é um disfarce para apontar defeitos.
Nessas ocasiões em que nos surpreendemos repetindo esse mesmo erro com nosso cônjuge, nossos filhos, nossos amigos ou mesmo com alguém que só vemos de vez em quando, talvez fosse bom acalmar a mente, observar nossos pensamentos e tomar consciência de que apontar defeitos é uma atitude que depende totalmente de nossas experiências passadas.
Avaliar e ser avaliado pelos outros - um hábito do passado - resulta, no pior dos casos, em medo e, no melhor, em amor condicional. Para sentir Amor incondicional, precisamos livrar-nos do nosso severo juiz interior. Em vez de um juiz severo, precisamos ouvir a nossa poderosa voz interior dizendo a nós e aos outros: "Amo e aceito você completamente tal como é".
À medida que reforçamos a decisão de só ver o Amor, fica mais fácil nos concentrar nos pontos fortes dos outros e ignorar suas fraquezas. É importante aplicar essa lição a todos e também a nós.
Gerald Jampolsky - em "Amar é libertar-se do medo"

domingo, 5 de janeiro de 2014

Confie em Deus - Osho



Uma das maiores fontes de ansiedade para o ser humano é o desejo de controlar a realidade. Geralmente tendemos a querer que as coisas se manifestem exatamente da maneira que desejamos ou consideramos ideal. Esta postura interior só faz retardar a manifestação de nossos desejos. É importante, sim, lutarmos para alcançar nossos objetivos e nossa força de vontade tem um papel importante em nossas conquistas. Mas não podemos nos esquecer de que, no Universo, tudo tem um tempo certo para desabrochar, amadurecer, frutificar. Muitas vezes, quando as coisas se recusam a acontecer da maneira que esperamos, o melhor é seguirmos uma outra direção, abandonando temporariamente aquela meta.
Geralmente, esta atitude acaba levando-nos exatamente a alcançar o que queríamos, mas por atalhos diferentes, que nossa mente, direcionada pelo ego, não conseguiu perceber. É preciso confiar na vida e deixar que ela aponte soluções para as situações aparentemente sem saída. Quando nos apegamos obsessivamente a coisas, pessoas ou situações, eliminamos qualquer possibilidade de que o novo, o inesperado e muitas vezes, o melhor, se manifeste. O Universo sabe exatamente do que necessitamos, portanto, devemos dar a ele a chance de nos prover. Para isto, temos que abandonar a tendência ao imediatismo e desenvolver a confiança e a capacidade de entrega à magia da vida. É preciso lutar, a cada dia, pela certeza de que alcançaremos tudo aquilo de que precisamos uma vez que alimentemos em nós a fé e a confiança. “Numa situação confusa, de perturbação, o que fazer?
Por favor, não faça nada. Você criou uma confusão por causa do seu fazer excessivo. Você é um tamanho fazedor, você confundiu tudo à sua volta - não somente para si mesmo, mas para os outros também. Seja um não-fazedor; isso será compaixão para consigo mesmo. Seja compassivo. Não faça nada, porque com a mente falsa, com uma mente confusa, todas as coisas se tornam mais confusas. Com uma mente confusa, é melhor esperar e não fazer nada de forma que a confusão desapareça. Ela desaparecerá; nada é permanente neste mundo. Você só precisa uma profunda paciência. Não seja apressado. Vou lhe contar uma história. Buda estava viajando através de uma floresta. O dia estava quente. Era exatamente meio-dia e ele sentiu sede; assim, disse para seu discípulo Ananda: "Volte. No caminho, nós atravessamos um pequeno riacho. Volte lá e traga um pouco d’água para mim".
Ananda voltou, mas o riacho era muito pequeno e algumas carroças estavam atravessando-o. A água estava agitada e tinha ficado suja. Toda a sujeira que estava assentada nele tinha vindo para cima e a água não era potável agora. Assim, Ananda pensou: "Eu tenho que voltar". Ele voltou e disse para Buda: "Aquela água se tornou absolutamente suja e não está boa para se beber. Permita-me ir à frente. Eu sei que existe um rio a apenas alguns quilômetros de distância daqui. Eu irei e buscarei água para você". Buda disse: "Não! Volte ao mesmo riacho". Como Buda tinha dito isto, Ananda tinha que seguir a ordem. Mas ele a seguiu sem entusiasmo, pois sabia que aquela água não podia ser trazida. E tempo estava sendo desnecessariamente perdido! E ele estava com sede, mas como Buda disse para ir, ele tinha que ir. Novamente ele retornou e disse: "Por que você insiste? A água não está potável".
Buda disse: "Vá novamente". E como Buda havia dito para voltar, Ananda teve que ir. A terceira vez que ele chegou no riacho, a água estava tão clara quanto ela sempre esteve. A sujeira tinha ido embora, as folhas mortas tinham ido embora e a água estava pura novamente. Então Ananda riu. Ele trouxe a água e veio dançando. Ele caiu aos pés de Buda e disse: "Seus meios de ensinar são miraculosos. Você me ensinou uma grande lição - que apenas a paciência é necessária e que nada é permanente". E este é o ensinamento básico de Buda: nada é permanente, tudo é transitório - assim por que ser tão preocupado? Volte ao mesmo riacho. Então, tudo deve ter mudado. Nada permanece o mesmo. Apenas seja paciente: vá novamente e novamente e novamente. Apenas alguns momentos e as folhas terão ido embora e a sujeira terá se assentado novamente e a água estará pura novamente.
Ananda também perguntou a Buda, quando ele estava voltando pela segunda vez: "Você insiste que eu vá, mas eu não posso fazer alguma coisa para tornar aquela água pura?". E não entre no riacho. Apenas fique do lado de fora, esperando, na margem. Sua entrada no riacho criará uma confusão. O riacho flui por si mesmo, assim deixe-o fluir". Nada é permanente; a vida é um fluxo. Heráclito disse que você não pode pisar duas vezes no mesmo rio. É impossível pisar duas vezes no mesmo rio porque o rio fluiu; tudo mudou. E não somente o rio fluiu, você também fluiu. Você também é diferente; você também é um rio fluindo. Veja esta impermanência de todas as coisas. Não tenha pressa; não tente fazer nada. Apenas espere! Espere em um total não-fazer. E se você pode esperar, a transformação estará presente. Este próprio é a transformação.
Osho - The book of the Secrets

sábado, 4 de janeiro de 2014

O Poder do Perdão - Eckhart Tolle



A maioria das pessoas precisa vivenciar um grande sofrimento antes de abandonar a resistência e aceitar, isto é, antes de perdoar.

Com o perdão, acontece o milagre do despertar da consciência do Ser, através do que aparenta ser um mal: a transmutação do sofrimento em paz interior. Todo o mal e todo o sofrimento do mundo vão nos forçar a descobrir quem somos realmente, para além de um nome e de uma forma.

Assim, aquilo que, de uma perspectiva limitada, percebemos como um mal é, na verdade, parte de um bem maior que não tem opositores. Entretanto, isso só se torna um bem maior através do perdão. Sem ele, o mal permanece como mal.

Perdão significa reconhecer a falta de consistência do passado e permitir que o momento presente seja como é -, e acontece o milagre da transformação, não só do lado de dentro, mas também do lado de fora. Um espaço silencioso de uma presença intensa surge dentro de nós e à nossa volta.

Seja quem for ou seja o que for que penetre no campo da consciência será afetado, por vezes de forma clara e imediata, outras em níveis mais profundos, com as mudanças só notadas algum tempo depois.

Você dissolve a discórdia, cura o sofrimento, desfaz a inconsciência - sem “fazer” nada - simplesmente “sendo” e sustentando essa frequência de presença intensa, o Ser que está sob a sua mente. Procure silenciar seus pensamentos e julgamentos. Eis que surge o seu verdadeiro “eu”.

Eckhart Tolle, em “O Poder do Agora”