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segunda-feira, 3 de junho de 2019

Inconsciência, a raiz de todos os males

Em um sentido mais amplo, Ignorância nada mais é que INCONSCIÊNCIA, que é a raiz de todos os males.
É a inconsciência egóica que leva o indivíduo, mesmo sabendo (conscientemente) o que é melhor, escolher (inconscientemente) o pior, o mais vil, o mais corrupto, o mais desonesto, como forma de amenizar alguma dor sua interna enraizada (ou como diria Jung, reduzir a tensão dos complexos), gerada por eventos remotos (muitas vezes ancestrais), que leva a criança carente interior a dominar e controlar os atos e emoções do adulto.
Em verdade, o caos interno do indivíduo inconsciente quer, a todo custo, se manifestar no mundo exterior da realidade fática, fazendo-o escolher (processo de identificação) o que no mundo externo mais se assemelha a sua mazela interna, como forma (inconsciente) de alertar o indivíduo para a importância da conscientização, do autoconhecimento.
Caso a pessoa relegue essas questões a segundo plano, a encarnação do indivíduo inconsciente estará inevitavelmente comprometida.
Estar desperto e aproveitar a encarnação para realizar o seu Darma, não para gerar mais Karma, pode ser a única missão que nos foi dada.
José Anastácio de Sousa Aguiar
Psicanalista, hipnoterapeuta e terapeuta de vidas passadas

domingo, 2 de julho de 2017

Caso Clínico em Psicanálise XIV – A formação de um Complexo; ou O Amor e Perdão como ressignificantes universais




Era a primeira vez que atendia Katia, uma jovem de cerca de 30 anos que adentrou à sala com os ombros arqueados e sem brilho nos olhos. Ela me procurara com uma demanda de severa ansiedade. Contou-me que seu estado de agitação constante a vinha incomodando desde quando era criança, entretanto nos últimos anos, em especial, no período da faculdade, estava se tornando insuportável, a ponto de influenciar negativamente na tomada de decisões simples, como escolher uma roupa.
Realizando a anamnese, foi possível identificar que na verdade, a ansiedade era apenas uma das questões que a afligiam, ela também tinha um elevado grau de insegurança, bem como uma baixa autoestima. Contou-me que sua mãe sempre foi muito exigente com ela e sempre comparava de forma pejorativa a sua personalidade introvertida com a personalidade extrovertida da sua irmã mais velha.
Pois bem, durante a análise, por meio do método freudiano da Associação Livre, Kátia não conseguiu lembrar-se de nenhum evento que pudesse ser o catalisador das questões que hoje a incomodavam. Todas as vezes que lembrava algo de um passado remoto, suas palavras eram interrompidas por abundantes lágrimas.
A retomada do equilíbrio emocional era a pedra angular daquele caso. Utilizando de algumas técnicas de relaxamento, Katia retomou o controle de suas emoções e pedi para ela que olhasse fixamente para a porta que estava a sua frente e deixasse a sua mente livre para fluir seus pensamentos. Perguntei o que ela gostaria de fazer e ela me respondeu que gostaria de abrir a porta. Pedi que desse seguimento a seu desejo, só que desta vez de olhos fechados. Ela me contou que ao abrir a porta, viu um quarto escuro com a sensação de que as pessoas estavam olhando para ela. Sentia-se acuada, insegura e com medo.
Utilizando as técnicas de hipnose, facilitei a regressão de Katia ao momento da gênese do seu trauma. Ela visualizou uma cena que já havia se apagado do seu consciente há muito tempo: ela tinha cerca de 5 anos quando a sua mãe se irritou quando ela derrubou um copo de leite sobre o tapete e comparou-a de forma ríspida e humilhante com a irmã. Aquele evento ficou congelado em sua memória, gerando um Complexo, que constantemente era constelado com os eventos da vida diária que se referissem ao tema.
Após a utilização das técnicas terapêuticas apropriadas para o caso dela, pedi, para finalizar, que ela visualizasse a mãe dela aproximando-se e pedindo que a abraçasse, ao mesmo tempo que ambas pediam perdão uma para outra. Por longos minutos, Katia permaneceu abraçada a sua mãe, enquanto as lágrimas escorriam, mas já não mais de insegurança e medo, e sim fruto da convicção daqueles que sabem que são amados.
Tivemos uma longa conversa sobre os mecanismos inconscientes que influenciam a mente consciente e a tornam, quando não verdadeiramente compreendidos, vulneráveis aos Complexos que povoam o Inconsciente. Expliquei, em especial, que os Complexos, conteúdos autônomos do Inconsciente Pessoal formado por lesões ou traumas psíquicos, tem em seu núcleo a imagem do evento traumático e orbitando a imagem encontram-se as emoções negativas geradas pelas lesões. A função da terapia é descongelar a imagem nuclear por meio da ressignificação das emoções e o meio mais eficaz da técnica terapêutica é a verdadeira realização do Amor e Perdão.
Renovada, Katia, agora, tinha uma melhor compreensão de suas pulsões instintuais e podia dar novo começo a sua vida emocional e aos seus relacionamentos. Despediu-se com um ar de esperança e um renovado brilho no olhar.  

José Anastácio de Sousa Aguiar
Psicanalista, hipnoterapeuta e terapeuta de vidas passadas
*nomes, sexos e alguns detalhes foram alterados para proteger a identidade dos pacientes.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Causo de Barbearia ou Complexos, Constelações, Arquétipos, Máscaras e Si-mesmo




Tenho, em minhas aulas nos diversos cursos e palestras, em especial aqueles que tratam da temática junguiana, procurado oferecer exemplos práticos da vida diária que possam esclarecer melhor as questões teóricas postas em sala de aula. Pois bem, passo a relatar, a seguir, um evento que presenciei recentemente que exemplifica bem várias temáticas relacionadas à Psicologia Analítica e aqui disponho, em especial, para meus alunos do curso de formação em psicanálise.
Era para ser apenas mais uma simples ida à barbearia para realizar um rápido corte de cabelo. Em geral, entro mudo e saio calado...
Ao adentrar ao recinto, verifiquei que havia quatro pessoas (três homens e uma mulher) esperando e no local existiam três barbeiros com suas cadeiras ocupadas. Dirigi-me ao gerente e perguntei quantas pessoas havia na fila de espera, ao qual ele me respondeu: Três.
Imaginei que provavelmente a única mulher estaria esperando alguém que estava cortando o cabelo, tendo em vista que pela leitura corporal do grupo – a pessoa mais próxima à mulher estava praticamente sentada de costas para ela (o leitor entenderá o porquê daqui a algumas linhas...) – aquela seria a opção mais razoável.
Dessa forma, acomodei-me e aguardei. À medida que os que cortavam o cabelo terminavam, foram substituídos pelos os que aguardavam, inclusive eu.
Após umas poucas breves palavras de orientação do corte para o barbeiro, preparei-me para mapear algum portal de acesso à outra dimensão, numa espécie de transe hipnótico – adoro essas oportunidades para treinar não pensar em nada... Entretanto, isso não seria possível naquela tarde.
Uma música de Edith Piaf (isso mesmo, Edith Piaf!), tocava ao fundo, o que me ajudaria na imersão em mim mesmo naquele, até então, plácido recinto. Entretanto, poucos segundos depois, o ambiente até então quase em silêncio foi sacudido por uma voz alta de mulher que asseverava: “Que coisa horrível, que corte horroroso esse que você está fazendo no meu marido.”
O portal que eu buscava imediatamente se fechou com aquele quase grito e eu não o encontraria mais naquela tarde... Antes mesmo de eu aterrissar os pensamentos, a mulher já se encontrava em pé próximo à cadeira de seu marido, reclamando veementemente do corte. O encabulado barbeiro tentou argumentar: “Foi ele quem pediu a máquina número 2”. Ao tempo que a mulher respondeu: “Nem sempre o cliente sabe o que está pedindo.” Isso foi demais para o marido: “Foi isso mesmo o que eu pedi.” Ao que ela retrucou: “Será possível, filho, que até isso eu tenho que resolver por você?”
As reclamações da mulher aumentavam, ao ponto de ela perguntar onde estava o gerente. Por seu turno, o gerente que estava calado e tudo acompanhava de uma mesa próxima continuou calado. (Acho que ele havia acessado o portal interdimensional que eu queria ter acessado quando cheguei).
Sem esperar respostas sobre onde estava o gerente, ela continuou a exaltar-se até que o marido não aguentou mais (e creio que atingiu o máximo da sua revolta) e falou, quase gaguejando, que ela tinha extrapolado. Ao qual, ela retrucou de forma impávida perguntando se ele queria que ela ficasse calada e que era melhor que ele se calasse!
Enquanto a discussão rolava, o barbeiro que cortava meu cabelo vez por outra aproximava-se de mim e falava baixinho: “Essa mulher é complicada, toda vez que vem aqui arma um barraco.”
Longos minutos se passaram até o fim do corte do já calado e submisso marido, que, de pronto, se apressou em pagar e ir embora, acompanhado por sua mulher. Antes que o casal saísse, o barbeiro que cortava meu cabelo disse para a mulher: “Peço desculpas pelo ocorrido, não deixe de vir aqui.” (Quando o casal saiu, retomou a sua rotina e me falou baixinho: “Pense numa mulher intragável.”)
Ao se fechar a porta de saída, arrastados segundos de profundo silêncio foram interrompidos pela voz possante do barbeiro da cadeira do meio, um senhor alto, gordo e bigodudo: “Se fosse minha mulher, eu teria feito uma besteira.” Complementou ainda: “E esse negócio de chamar gerente, aqui não vale de nada, pois o gerente daqui nem moral tem, já que nem cabelo sabe cortar.” (Naquele instante, olhei para o gerente e confirmei a minha teoria de que ele tão cedo não retornaria a esta dimensão). Ao que o aflito e nervoso outro barbeiro repetia, se justificando: “Foi ele quem pediu a máquina número 2.”
Um jovem que havia chegado no meio da confusão afirmou num tom quase reflexivo: “Será possível que o cidadão não pode nem cortar o cabelo como quer?”
Eu, de minha parte, cumpri a minha rotina de entrar mudo e sair calado e sou grato a todos que participaram dessa comédia da vida privada por ter me permitido identificar tão bem vários institutos de Jung, quais sejam: Complexos, Constelação dos Complexos, Arquétipo Materno, Identificação, Anima, Animus, Máscaras, Sombras, Símbolos, Si-mesmo e tantos outros e convido a todos, em especial meus alunos da psicanálise, para tentar identificar nos personagens citados as teorias correspondentes e seus respectivos animais de poder.
Fica para mim como grande ensinamento que análise não é para quem tem neurose, neurose todos nós temos, análise é para quem quer se curar das suas neuroses.
Namastê,
José Anastácio de Sousa Aguiar (psicanalista, hipnoterapeuta e terapeuta de vidas passadas)

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Dica de Vídeo - A Garota Dinamarquesa

Caro(a)s amigo(a)s, complementando a postagem anterior, na qual indico livros para o período do reinado de Momo, sugiro tb o filme “A Garota Dinamarquesa”, que retrata a história de Einar Wegener, que nasceu homem, mas sentia-se mulher.
A película trata com bastante singularidade questões da seara psicanalítica freudiana, tais como: libido, barreira do recalcamento, pulsões de vida e morte, princípios do prazer x realidade, Complexo de Édipo, elaborações oníricas, antagonismo Consciente x Inconsciente, dentre outras.
Vários elementos da Psicologia Analítica de Carl G. Jung tb são abordados com bastante competência, quais sejam: complexos, máscaras e sombra, anima e animus, processo de individuação, etc.
O filme não só retrata bem essas abordagens psíquicas, como tb nos faz lembrar da importância do respeito e atenção que temos que ter para cada um que cruza nosso caminho. Ninguém conhece a luta e a dor do outro, e uma palavra de gentileza e carinho nossa pode ser tudo o que alguém precisa para enfrentar os seus medos.
Aproveito para solicitar ao Dr. França da Silva, coordenador do curso, que peça aos alunos da turma de Formação em Psicanálise do Instituto I.A.I.S., com a qual teremos, no próximo dia 11 de março de 2017, o módulo "Vida e Obra de Freud", para assistir o filme antes da aula, para que possamos destacar com mais propriedade elementos do filme ao estudar as questões freudianas.
Namastê,
José Anastácio de Sousa Aguiar

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Crônica - O Complexo de Wilson ou Como acabar com uma relação aos poucos - José Anastácio de Sousa Aguiar




Há algum tempo, o ator americano Tom Hanks foi o protagonista de um filme chamado aqui no Brasil de “O Náufrago”. Após a queda, em alto mar, do avião no qual ele estava, Chuck Noland (Tom Hanks) fica em uma ilha deserta na companhia de alguns objetos que estavam sendo transportados como carga pela aeronave. Dentre os objetos, encontrava-se uma bola de voleibol, que Chuck passou a tratar como amigo e a nomeou de Wilson (a marca da bola).
Pois bem, depois de algum tempo adaptando-se à ilha e de prolongado convívio com o Wilson, no qual ocorreram momentos de boa convivência, mas também de atritos e xingamentos, Chuck passou a pensar em uma maneira de tentar sair daquele isolamento. Montou um simples barco com o material disponível e posicionou o fiel amigo na proa da nau.
A aventura do mar apresentou-se perigosa. Para pescar, Chuck amarrava uma corda no barco e a segurava com firmeza, enquanto estava na água a procura de algum peixe. Durante sua ausência ao barco, a referida corda, firmemente empunhada, era a ligação entre ele e sua nau.
Certo dia, cansado e faminto, o náufrago adormece. Em razão do mar agitado, Wilson cai ao mar e Chuck só o vê quando está a uma distância maior do que a extensão da corda. Mesmo assim, empunhando a corda, ele salta para resgatar o amigo, mas vê aos poucos Wilson afastando-se, levado pelas ondas. Chuck chega ao limite do tamanho da corda, se ele soltá-la poderia ter chance de alcançar Wilson, mas arriscaria perder-se do barco. Ele retorna ao barco e o amigo vai se afastando, pois não há nenhum laço que os uma.
Se não cultivarmos laços com aqueles que a Divindade nos apresenta para conviver, certamente as ondas da vida diária nos afastarão pouco a pouco e quando nos dermos conta, eles estarão além de qualquer laço.   
José Anastácio de Sousa Aguiar