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sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

sábado, 18 de janeiro de 2014

Abraço - Ana Jácomo



Mas o melhor do abraço não é a ideia dos braços facilitarem o encontro dos corpos. O melhor do abraço é a sutileza dele. A mística dele. A poesia. O segredo de literalmente aproximar um coração do outro para conversarem no silêncio que dá descanso à palavra. O silêncio onde tudo é dito sem que nenhuma letra precise se juntar à outra. O melhor do abraço é o charme de fazer com que a eternidade caiba em segundos. A mágica de possibilitar que duas pessoas visitem o céu no mesmo instante.
Ana Jácomo

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Pressa - Ana Jácomo

 

Mas não tenho mais tanta pressa.
Comecei a aprender a ser mais gentil com o meu passo.
Afinal, não há lugar algum para chegar além de mim.
Eu sou a viajante e a viagem.
Ana Jácomo

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Conto - O menino e o avô - Ana Jácomo



Intrigado com algumas coisas que ouviu, o menino perguntou para o avô enquanto caminhavam:
- Vô, no inferno tem passarinho cantando?
- Inúmeros. A perder de ouvido.
- Tem flor?
- Milhares e milhares delas, as mais lindas que podemos imaginar e outras tantas que a gente nem consegue.
- Tem mar?
- Muitos. Aliás, praias, conchinhas, ondas e surfistas também.
- Tem abraço?
- Dos melhores.
- E o céu fica todo azulzinho quando faz sol?
- Fica. Céu assim é tão bonito que chega até a comover, né?
- As pessoas amam?
- Amam. Gente é feita pra amar, embora geralmente erre um monte de exercícios enquanto está aprendendo.
- Tem pipa?
- À beça.
- Tem chocolate?
- É claro! Pode existir algum lugar onde não haja chocolate?

O menino silenciou por alguns segundos, a expressão dizendo um desconcerto dos grandes, muito maior do que aquele que mostrou no tempo da primeira pergunta.
- Ué, vô, eu não entendo… Ouvi dizer que o inferno é tão ruim!
- E é.
- Mas se tem tudo isso…
- Tem, sim, amado, as mesmas coisas do céu que você imagina estão também no inferno. Todas elas.
- Então, é tudo igual?
- Não. A diferença é que no inferno as coisas todas do céu continuam presentes, mas, por temporária impossibilidade, a gente não consegue percebê-las.

Ana Jácomo