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terça-feira, 26 de novembro de 2019
quarta-feira, 10 de maio de 2017
Causo de Barbearia ou Complexos, Constelações, Arquétipos, Máscaras e Si-mesmo
Tenho, em minhas aulas nos
diversos cursos e palestras, em especial aqueles que tratam da temática
junguiana, procurado oferecer exemplos práticos da vida diária que possam
esclarecer melhor as questões teóricas postas em sala de aula. Pois bem, passo
a relatar, a seguir, um evento que presenciei recentemente que exemplifica bem
várias temáticas relacionadas à Psicologia Analítica e aqui disponho, em
especial, para meus alunos do curso de formação em psicanálise.
Era para ser apenas mais uma
simples ida à barbearia para realizar um rápido corte de cabelo. Em geral,
entro mudo e saio calado...
Ao adentrar ao recinto,
verifiquei que havia quatro pessoas (três homens e uma mulher) esperando e no
local existiam três barbeiros com suas cadeiras ocupadas. Dirigi-me ao gerente
e perguntei quantas pessoas havia na fila de espera, ao qual ele me respondeu:
Três.
Imaginei que provavelmente a
única mulher estaria esperando alguém que estava cortando o cabelo, tendo em
vista que pela leitura corporal do grupo – a pessoa mais próxima à mulher
estava praticamente sentada de costas para ela (o leitor entenderá o porquê
daqui a algumas linhas...) – aquela seria a opção mais razoável.
Dessa forma, acomodei-me e
aguardei. À medida que os que cortavam o cabelo terminavam, foram substituídos
pelos os que aguardavam, inclusive eu.
Após umas poucas breves palavras
de orientação do corte para o barbeiro, preparei-me para mapear algum portal de
acesso à outra dimensão, numa espécie de transe hipnótico – adoro essas
oportunidades para treinar não pensar em nada... Entretanto, isso não seria
possível naquela tarde.
Uma música de Edith Piaf (isso
mesmo, Edith Piaf!), tocava ao fundo, o que me ajudaria na imersão em mim mesmo
naquele, até então, plácido recinto. Entretanto, poucos segundos depois, o
ambiente até então quase em silêncio foi sacudido por uma voz alta de mulher
que asseverava: “Que coisa horrível, que corte horroroso esse que você está
fazendo no meu marido.”
O portal que eu buscava
imediatamente se fechou com aquele quase grito e eu não o encontraria mais
naquela tarde... Antes mesmo de eu aterrissar os pensamentos, a mulher já se
encontrava em pé próximo à cadeira de seu marido, reclamando veementemente do
corte. O encabulado barbeiro tentou argumentar: “Foi ele quem pediu a máquina
número 2”. Ao tempo que a mulher respondeu: “Nem sempre o cliente sabe o que
está pedindo.” Isso foi demais para o marido: “Foi isso mesmo o que eu pedi.”
Ao que ela retrucou: “Será possível, filho, que até isso eu tenho que resolver
por você?”
As reclamações da mulher
aumentavam, ao ponto de ela perguntar onde estava o gerente. Por seu turno, o
gerente que estava calado e tudo acompanhava de uma mesa próxima continuou
calado. (Acho que ele havia acessado o portal interdimensional que eu queria
ter acessado quando cheguei).
Sem esperar respostas sobre onde
estava o gerente, ela continuou a exaltar-se até que o marido não aguentou mais
(e creio que atingiu o máximo da sua revolta) e falou, quase gaguejando, que
ela tinha extrapolado. Ao qual, ela retrucou de forma impávida perguntando se
ele queria que ela ficasse calada e que era melhor que ele se calasse!
Enquanto a discussão rolava, o
barbeiro que cortava meu cabelo vez por outra aproximava-se de mim e falava
baixinho: “Essa mulher é complicada, toda vez que vem aqui arma um barraco.”
Longos minutos se passaram até o
fim do corte do já calado e submisso marido, que, de pronto, se apressou em
pagar e ir embora, acompanhado por sua mulher. Antes que o casal saísse, o
barbeiro que cortava meu cabelo disse para a mulher: “Peço desculpas pelo
ocorrido, não deixe de vir aqui.” (Quando o casal saiu, retomou a sua rotina e
me falou baixinho: “Pense numa mulher intragável.”)
Ao se fechar a porta de saída, arrastados
segundos de profundo silêncio foram interrompidos pela voz possante do barbeiro
da cadeira do meio, um senhor alto, gordo e bigodudo: “Se fosse minha mulher,
eu teria feito uma besteira.” Complementou ainda: “E esse negócio de chamar
gerente, aqui não vale de nada, pois o gerente daqui nem moral tem, já que nem
cabelo sabe cortar.” (Naquele instante, olhei para o gerente e confirmei a minha
teoria de que ele tão cedo não retornaria a esta dimensão). Ao que o aflito e nervoso
outro barbeiro repetia, se justificando: “Foi ele quem pediu a máquina número
2.”
Um jovem que havia chegado no
meio da confusão afirmou num tom quase reflexivo: “Será possível que o cidadão
não pode nem cortar o cabelo como quer?”
Eu, de minha parte, cumpri a
minha rotina de entrar mudo e sair calado e sou grato a todos que participaram
dessa comédia da vida privada por ter me permitido identificar tão bem vários
institutos de Jung, quais sejam: Complexos, Constelação dos Complexos,
Arquétipo Materno, Identificação, Anima, Animus, Máscaras, Sombras, Símbolos,
Si-mesmo e tantos outros e convido a todos, em especial meus alunos da
psicanálise, para tentar identificar nos personagens citados as teorias
correspondentes e seus respectivos animais de poder.
Fica para mim como grande
ensinamento que análise não é para quem tem neurose, neurose todos nós temos, análise
é para quem quer se curar das suas neuroses.
Namastê,
José Anastácio de Sousa Aguiar (psicanalista, hipnoterapeuta e terapeuta de vidas passadas)
José Anastácio de Sousa Aguiar (psicanalista, hipnoterapeuta e terapeuta de vidas passadas)
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sábado, 1 de outubro de 2016
domingo, 25 de setembro de 2016
quinta-feira, 22 de setembro de 2016
Dica de Evento - Projeto "Conversando com o Inconsciente" - Ciclo de palestras e curso com fundamento nos princípios e técnicas da Psicologia Analítica de Carl G. Jung
Caro(a)s amigo(a)s, gostaria de convidá-los para as atividades relacionadas ao nosso projeto "Conversando com o Inconsciente". Trata-se de uma série de palestras culminando com o curso "O Mapa da Alma de Jung", no qual veremos a parte teórica e prática da Psicologia Analítica de Jung, realizando, em especial, vivências relativas ao tema, fazendo uso tb de técnicas e exercícios de Psicoterapias Breves. O cronograma dos eventos é o seguinte:
1) Palestra "A Interpretação de Sonhos sob a ótica de Sigmund Freud e Carl G. Jung" - dia 17/09/2016, das 17:00 às 19:00 h, no Mundo Akar;
2) Palestra "A Terapia de Vidas passadas (TVP) como ferramenta auxiliar nos processos Analítico Terapêutico e de Expansão da Consciência" - dia 24/09/2016, das 18:30 às 20:00 h, no Espaço holístico SIMRAN;
3) Palestra "As Sombras e as Máscaras ocultas e cada um de nós" - dia 1/10/2016, das 17:00 às 19:00 h, no Espaço Criar; e
4) Curso "A Psicologia Analítica e o Mapa da Alma de Jung" - dias 15 e 16 de outubro de 2016, das 9:00 às 16:00 h.
Contaremos com a participação especial do Ricardo da Silva e a equipe do Clube do Renascimento Fortaleza.
Informações e inscrições: Dr. França da Silva - 3219.6661/99737.7757/98712.2909.
Sejam todos bem-vindos, namastê.
José Anastácio de Sousa Aguiar
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quinta-feira, 31 de março de 2016
Caso Clínico em Psicanálise XII - O apego às máscaras; ou Ser ou não ser, eis ou não a questão - José Anastácio de Sousa Aguiar
Costumo fazer, ao início de cada
atendimento, duas perguntas. A primeira é perguntar para o paciente como ele
gosta de ser chamado e a segunda é em que posso ajudá-lo. Interessante notar,
que o modo como as duas perguntas são ou não são respondidas, esclarece e
facilita muito o trabalho psicanalítico. O tema da presente crônica refere-se a
essas perguntas.
Era uma sexta-feira no final da tarde, o
último atendimento do dia e da semana. Era a primeira consulta daquele paciente
e após cumprimentá-lo, realizei a primeira pergunta (como ele gostaria de ser
chamado), ao que ele me respondeu: “ Dr. Pedro Augustus Neto, não esqueça do
neto, doutor.”
À segunda pergunta (em que posso ajudá-lo),
ele, após uma certa resistência, me explicou que era advogado há muitos anos e
trabalhava junto aos ministros das cortes superiores e tinha conseguido
acumular muito dinheiro e status com a sua função, entretanto, estando com 55
anos, sentia-se vazio e desorientado.
Pode-se analisar este caso fazendo-se
uso do conceito junguiano de máscara. Máscara(s) seria(m) aquele(s) instrumento(s)
que o ego do indivíduo lança mão para adaptar-se às vicissitudes do dia-a-dia. O
uso da máscara passa a ser patológico quando a pessoa se identifica em demasia
com ela, que passa a dominar as decisões do ego. Assim, seu uso reiterado
dificulta a pessoa aprofundar-se no autoconhecimento, tornando-o prisioneiro de
si mesmo, ou melhor da máscara.
Nesse contexto, é perfeitamente razoável
que o Dr. Pedro Augustus Neto tenha uma vida vazia e sem sentido.
A desidentificação para com a máscara,
bem como a desmistificação de suas vãs glórias, são o cerne do processo
analítico, nesse caso.
José Anastácio de Sousa Aguiar
*nomes, sexos e alguns detalhes foram
alterados para proteger a identidade dos pacientes.
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