Mostrando postagens com marcador Inconsciente. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Inconsciente. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

Santa Marta e o Dragão, ou E você, como lida com as suas Sombras?


Conta a lenda, que os irmãos Marta, Maria e Lázaro tiveram que fugir da Judeia após a morte de Jesus, em razão da primeira perseguição aos seguidores de Cristo.

Teriam fugido de barco e aportado na costa da França. Por lá, pregavam a fé cristã. Certa feita, os habitantes da cidade de Tarascon pediram à Marta que os ajudassem contra um dragão que aterrorizava a população. Marta adentrou na floresta e lá encontrou o dragão que devorava um homem. Na presença do violento animal, aspergiu algumas gotas de água benta, atou-o com o seu próprio cinto e o levou à cidade como se fosse um dócil cordeiro. Atônito, o povo atacou o dragão com paus e pedras e o matou.
A fascinante lenda de Santa Marta traz uma clara alusão à psique humana. O dragão é facilmente identificável com as sombras que habitam o Inconsciente (representado pela floresta) de todos nós, simbolizando nossos medos, culpas, angústias, incertezas etc. A consciência, em equilíbrio, é representada por Santa Marta, que de posse da água benta (qualidades do espírito, tais como: Respeito, Sinceridade, Gentileza e Serviço, como diria Lao-Tsé) facilmente domina as pulsões instintuais e as coloca a serviço da Consciência. O populacho, por sua vez, parece referir-se aos impulsos do ego, que movido pelo medo e desconhecimento, usa a força bruta para destruir o que ignora.
A temática acima referida foi amplamente estudada e teorizada por Carl G. Jung, o pai da Psicologia Analítica, o qual indico a leitura de suas obras.
E você, como lida com o seu Dragão?
Anastácio Aguiar
Psicanalista, hipnoterapeuta e constelador familiar sistêmico

terça-feira, 16 de julho de 2019

A Jornada do Herói ou A Consciência, o Santo Graal da vida

A Jornada do Herói, ou como alguns preferem Monomito, é um conceito de caminhos cíclicos presente em mitos e nas histórias de vida de cada um de nós, mortais. O conceito, segundo consta, foi idealizado por Joseph Campbell em seu livro “O Herói de Mil Faces” e está intimamente relacionado com o conceito junguiano de Arquétipos.
Pois bem, a Jornada do Herói é fundamentalmente interior, um percurso rumo à profundidade de cada um onde obscuras resistências devem ser integralizadas e ressignificadas, para que possam renascer poderes há muito tempo esquecidos para serem disponibilizados para a transformação da vida do indivíduo.
A jornada, por essência, perigosa pelo enfrentamento das Sombras, entretanto, essencial, por estar em jogo a própria Individuação, meta final da caminhada, não visa a conquista, mas a reconquista; não visa a descoberta, mas a redescoberta de si mesmo.
O herói é um símbolo da imagem divina e redentora que está escondida dentro de cada um de nós, como o Self junguiano, que está aguardando ser reapropriado pelo espírito, outrora, decaído presente em cada um e trazido de volta à vida por meio da transcendência da Totalidade.
As tradições grega e romana trazem um pertinente exemplo da Jornada do Herói no mito de Caronte, o barqueiro de Hades, o rei do submundo (Inconsciente). Como um psicopompo (guia da Alma), Caronte carregava as almas dos mortos de uma margem do rio Estige para a outra, mas apenas se seus cadáveres recebessem as honras fúnebres (ou, em outra versão, se tivessem uma doação para pagar a viagem). Aqueles que não possuíam ofertas eram forçados a vagar eternamente e sem paz nas brumas do rio.
As honras fúnebres ou a doação para pagar a viagem nada mais são do que a representação da Consciência, que se exprime no Santo Graal da jornada nossa de cada dia.
José Anastácio de Sousa Aguiar
Psicanalista, hipnoterapeuta e terapeuta de vidas passadas

segunda-feira, 30 de abril de 2018

Paz com o passado ou Qual é o passo mais importante no processo terapêutico?

 
Volta e meia, sou inquirido, seja por aluno ou paciente, sobre qual seria o passo mais importante no processo terapêutico. De início, adianto que a pergunta não é tão simples como possa parecer, mas deixo a minha contribuição para o estudo do tema.
Costumo dividir, academicamente, o iter terapêutico em duas fases: a investigativa e a terapêutica propriamente dita. Quanto à primeira, como a denominação antecipa, busca-se encontrar o(s) fatore(s) que ocasionou(aram) a neurose (lembrando aos que tem pouca vivência com a psicanálise, que Freud considerava que todos nós somos neuróticos em graus diversos). Já na segunda fase, o terapeuta deve lançar mão das técnicas e métodos que entende possa resolver a demanda do quadro clínico.
Dentre as questões que carregam relevância na formação e desenvolvimento das neuroses, uma se sobressai: o passado não elaborado, as questões da infância não ressignificadas. Nesse contexto, creio ser a efetivação da “Paz com o Passado” a pedra angular em todo trabalho terapêutico.
Qualquer método ou técnica que desconsidere essa máxima corre o risco de ser efêmero ou oferecer poucos resultados, posto que o Inconsciente em ebulição está sempre pronto a inquietar o Consciente. Assim, como um dia já afirmou Jung: “até você se tornar Consciente, o Inconsciente irá dirigir a sua vida e você vai chamá-lo de destino”.      

José Anastácio de Sousa Aguiar
Psicanalista, hipnoterapeuta e terapeuta de vidas passadas