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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

Santa Marta e o Dragão, ou E você, como lida com as suas Sombras?


Conta a lenda, que os irmãos Marta, Maria e Lázaro tiveram que fugir da Judeia após a morte de Jesus, em razão da primeira perseguição aos seguidores de Cristo.

Teriam fugido de barco e aportado na costa da França. Por lá, pregavam a fé cristã. Certa feita, os habitantes da cidade de Tarascon pediram à Marta que os ajudassem contra um dragão que aterrorizava a população. Marta adentrou na floresta e lá encontrou o dragão que devorava um homem. Na presença do violento animal, aspergiu algumas gotas de água benta, atou-o com o seu próprio cinto e o levou à cidade como se fosse um dócil cordeiro. Atônito, o povo atacou o dragão com paus e pedras e o matou.
A fascinante lenda de Santa Marta traz uma clara alusão à psique humana. O dragão é facilmente identificável com as sombras que habitam o Inconsciente (representado pela floresta) de todos nós, simbolizando nossos medos, culpas, angústias, incertezas etc. A consciência, em equilíbrio, é representada por Santa Marta, que de posse da água benta (qualidades do espírito, tais como: Respeito, Sinceridade, Gentileza e Serviço, como diria Lao-Tsé) facilmente domina as pulsões instintuais e as coloca a serviço da Consciência. O populacho, por sua vez, parece referir-se aos impulsos do ego, que movido pelo medo e desconhecimento, usa a força bruta para destruir o que ignora.
A temática acima referida foi amplamente estudada e teorizada por Carl G. Jung, o pai da Psicologia Analítica, o qual indico a leitura de suas obras.
E você, como lida com o seu Dragão?
Anastácio Aguiar
Psicanalista, hipnoterapeuta e constelador familiar sistêmico

quinta-feira, 12 de julho de 2018

Você como cocriador do seu destino; ou "Maria escolheu a melhor parte, a qual não lhe será tirada"

Recentemente, tive necessidade de fazer uso de táxi. No trajeto até o meu destino, o motorista Marto (nome fictício que lanço mão para fazer referência à passagem bíblica destacada em Lucas 10:38-42) discorreu sobre alguns assuntos de seu interesse, dentre eles política, economia e violência, sempre com um ar de preocupação, descontentamento e aflição.
Ao chegar ao meu destino, realizei o pagamento da corrida e ato contínuo, ele se despediu dizendo: "Tenha um bom dia, doutor. Eu vou para a luta." Fiquei pensativo ao ver o carro distanciar-se imaginando o quão Marto criou com as suas palavras a realidade que terá que enfrentar.
Sentir a vida como uma luta ou não são os dois opostos de uma mesma moeda. Estamos imersos em um universo que antes de ser matéria, é pura energia. Os nossos pensamentos e palavras também são formas de energia, que se modulados na frequência da escassez, medo e culpa, ter-se-á como realidade concreta externa o consectário lógico do que criamos em abstrato internamente.
Por outro lado, se entendemos como funcionam as leis sutis e nos tornamos conscientes, adentraremos na sintonia de todas as possibilidades, tornando-nos cocriadores de uma realidade de paz, harmonia e serenidade interior.
Nesse diapasão, como dito pelo Mestre Jesus no versículo acima citado, estamos afadigados e ansiosos por muitas coisas, mas, em verdade, só uma é necessária, a melhor parte.

José Anastácio de Sousa Aguiar
Psicanalista, hipnoterapeuta e terapeuta de vidas passadas 

sábado, 23 de junho de 2018

O olho de Hórus, que tudo vê, protege e controla; ou A culpa como elemento desencadeador das neuroses e psicoses

Tenho observado na prática clínica que dois são os sentimentos presentes em todas as neuroses, independentemente das questões fáticas envolvidas: o medo e a culpa. O medo tratarei em outra crônica, deter-me-ei nessas poucas linhas a trazer alguns aspectos ligados à culpa.
A alusão de diversos pacientes, quando discorrem seus sonhos, lúcidos ou não, à existência de um (ou muitos) olho(s), levou-me a estudar melhor a matéria e perceber a intima relação entre a ocorrência recorrente dos olhos com a temática da culpa.
Ao longo da história da humanidade, o olho tem sido visto por várias culturas com simbologias diversas, mas invariavelmente passa pelo controle, que tende a desaguar na culpa. Como exemplo, cito o Olho de Hórus, que no Antigo Egito significava poder e proteção (controle).
A Igreja Católica, em vários dos seus centros de formação, em especial na Idade Média, desenhava um grande olho nos vestiários e banheiros de seus noviços, que representava o Olho de Deus, que tudo vê.
A nota de um dólar, com o desenho de um olho no pináculo de uma pirâmide e a expressão "Novus Ordos Seclorum" (Nova Ordem dos Séculos) reforça a consciência coletiva da relação simbiótica triangular: olho, controle e culpa.
Pois bem, em geral, os pacientes não compreendem a significação da simbologia de seus pensamentos e sonhos, e tendem a minimizar a importância da culpa na gênese e evolução das neuroses e psicoses, o que, ao longo do tempo, desequilibra a saúde mental do indivíduo, podendo, dependendo do caso, desaguar em um quadro psicótico de prognóstico desanimador.
Finalizo com Carl G. Jung: "Até você se tornar consciente, o inconsciente irá dirigir a sua vida e você vai chamá-lo de destino."

José Anastácio de Sousa Aguiar
Psicanalista, hipnoterapeuta e terapeuta de vidas passadas

terça-feira, 8 de maio de 2018

Sri Prem Tata, os medos de cada um; ou Viver ou não viver, eis a questão


Certa ocasião, Tata e seu fiel discípulo foram à praia. Tata, como de costume, levantou cedo e ao raiar do sol dirigiu-se por um belo bosque a uma das praias da região.
A acolhedora e fina areia deram as boas-vindas aos visitantes e Tata calmamente entrou na água e gentilmente deliciava-se e brincava com a irmã água.
O discípulo de Tata tentou acompanhar o mestre, mas assim que pisou na fria água da incipiente manhã, recuou. Após alguns minutos, vendo a alegria e a jovialidade do mestre na água, indagou:
_ Mestre, como é possível sentir-se tão confortável em uma água tão fria. Não entrarei no mar, esperarei a água esquentar e estar nas condições ideias.
Tata continuou a regozijar-se e após alguns segundos assim se expressou:
_ A água representa a vida, somente aquele que enfrenta os seus desafios terá efetivamente vivido. Só há uma maneira de aprender a viver, vivendo. Esperar as condições ideais para começar a viver é condenar-se a desperdiçar seus dons e potenciais. A frieza da água representa os desafios a serem enfrentados (medos, culpas, sombra, etc), por mais que possa haver sofrimento ao se encarar a vida de frente, eles são o passaporte para a paz, a plenitude e a efetiva realização do seu potencial nessa existência.