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quinta-feira, 19 de março de 2020

Tempos Esquizóides, ou Uma Visão Terapêutica dos Tempos de Coronavirus

A Esquizoidia é um fenômeno amplamente conhecido por aqueles que estudam a Bioenergética de Wilhelm Reich e Alexander Lowen. Trata-se do tipo de caráter formado quando da vida intrauterina do feto ou logo após o seu nascimento. Ocorre quando o ser ainda em formação sente-se rejeitado por algum evento que venha a lhe acontecer durante esse período. Em resposta à sensação de rejeição, ele(a) reage criando o seu mundo próprio, alienando-se do que está acontecendo e recolhendo-se ao seu mundo imaginário pessoal, como forma de proteção à dor. Essa característica de caráter moldará a personalidade do indivíduo durante toda a sua vida, propiciando tornar-se uma pessoa mais retraída e pronta a afastar-se do mundo exterior, toda vez que sentir-se ameaçado.
Em geral um indivíduo com esse tipo de personalidade seria classificado pelo Eneagrama como o tipo 5, o observador, o analítico, o introvertido, o pensador, aquele que privilegia o centro mental, onde se concentra mais a sua energia.
Em se tratando de concentração de energia no centro mental, a Biossíntese, de David Boadella, nos ensina, que esses tipos são formados, estruturalmente, no útero materno, quando da maior ênfase dos afetos no tecido ectoderma, material celular responsável pela criação, dentre outros, do sistema nervoso.
A atual realidade de isolamento social que vivemos por conta do Coronavirus segue o mesmo iter acima destacado, ou seja, em razão da ocorrência de um trauma (vírus) a população se recolhe em suas casas (mundos internos) para evitar uma dor maior (doença).
No âmbito terapêutico, para os pacientes com traços esquizóides, deve-se enfatizar o tratamento na ressignificação dos eventos traumáticos e incentivar as reconexões sociais, que deverão ser refeitas em outras bases, mais serenas, harmoniosas e saudáveis. Talvez, seja isso o que todos deveríamos fazer no nível micro e macro da nossa sociedade, com as lições aprendidas pela passagem da onda do Coronavirus.
Anastácio Aguiar
Psicanalista, hipnoterapeuta e constelador familiar sistêmico

terça-feira, 16 de julho de 2019

A Jornada do Herói ou A Consciência, o Santo Graal da vida

A Jornada do Herói, ou como alguns preferem Monomito, é um conceito de caminhos cíclicos presente em mitos e nas histórias de vida de cada um de nós, mortais. O conceito, segundo consta, foi idealizado por Joseph Campbell em seu livro “O Herói de Mil Faces” e está intimamente relacionado com o conceito junguiano de Arquétipos.
Pois bem, a Jornada do Herói é fundamentalmente interior, um percurso rumo à profundidade de cada um onde obscuras resistências devem ser integralizadas e ressignificadas, para que possam renascer poderes há muito tempo esquecidos para serem disponibilizados para a transformação da vida do indivíduo.
A jornada, por essência, perigosa pelo enfrentamento das Sombras, entretanto, essencial, por estar em jogo a própria Individuação, meta final da caminhada, não visa a conquista, mas a reconquista; não visa a descoberta, mas a redescoberta de si mesmo.
O herói é um símbolo da imagem divina e redentora que está escondida dentro de cada um de nós, como o Self junguiano, que está aguardando ser reapropriado pelo espírito, outrora, decaído presente em cada um e trazido de volta à vida por meio da transcendência da Totalidade.
As tradições grega e romana trazem um pertinente exemplo da Jornada do Herói no mito de Caronte, o barqueiro de Hades, o rei do submundo (Inconsciente). Como um psicopompo (guia da Alma), Caronte carregava as almas dos mortos de uma margem do rio Estige para a outra, mas apenas se seus cadáveres recebessem as honras fúnebres (ou, em outra versão, se tivessem uma doação para pagar a viagem). Aqueles que não possuíam ofertas eram forçados a vagar eternamente e sem paz nas brumas do rio.
As honras fúnebres ou a doação para pagar a viagem nada mais são do que a representação da Consciência, que se exprime no Santo Graal da jornada nossa de cada dia.
José Anastácio de Sousa Aguiar
Psicanalista, hipnoterapeuta e terapeuta de vidas passadas

quinta-feira, 6 de junho de 2019

Você é digno do seu tormento? ou Sofrimento, um processo ilusório e/ou curativo



Não é difícil inferir que todos os pacientes que procuram a clínica psicanalítica estão com um ou mais problemas a equacionar. A variedade e complexidade das questões é tão extensa quanto a própria natureza humana.
Pois bem, como dito acima, a expectativa do paciente é que a questão/problema que o leva à terapia seja eliminada e ele/ela possa retomar o que entende ser a sua vida normal.
Talvez um dos aspectos mais importantes a ser destacado no processo terapêutico, e que poucos chegam com essa noção, é que, em última instância, as questões que o levaram à clínica são fatores essenciais do processo de restauração do equilíbrio perdido da psiquê, não tendo natureza autônoma, nem ontológica. Ou como diz Eckhart Tolle: “Um problema só é necessário, até tornar-se desnecessário.”
Carl G. Jung nos ensina que um dos primeiros passos no processo terapêutico é a aceitação do indivíduo como ele é, em especial, os seus defeitos, o que requer uma grande dose de humildade, nem sempre fácil de obter. Somente após essa primeira fase da conscientização da sombra, pode o paciente ressignificar as suas energias, reorientando-as a seu favor.
Por mais paradoxal que possa ser, a exemplo da vida que guarda seu sentido, o sofrimento também. Faço referência a Dostoievsky: “Temo somente uma coisa, não ser digno do meu tormento.” Tornar-se digno do próprio tormento é reconhecer a sua função e mensagem, ao tempo de compreender que tanto lhe é ilusório como curador. O teu tormento, em verdade, é a tua bênção.
Concluo com a citação de Krishna para Arjuna em Bhagavad-Gita “O que é noite para todos os seres, é dia para o homem que consegue vencer a si mesmo”.

*Texto em parceria com Augusto Cláudio Ferreira Guterres Soares

José Anastácio de Sousa Aguiar
Psicanalista, hipnoterapeuta e terapeuta de vidas passadas

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Inconsciência, a raiz de todos os males

Em um sentido mais amplo, Ignorância nada mais é que INCONSCIÊNCIA, que é a raiz de todos os males.
É a inconsciência egóica que leva o indivíduo, mesmo sabendo o que é melhor, escolher o pior, o mais vil, o mais corrupto, o mais desonesto, como forma de amenizar alguma dor sua interna enraizada (ou como diria Jung, reduzir a tensão dos complexos), gerada por eventos remotos (muitas vezes ancestrais), que leva a criança carente interior a dominar e controlar as emoções e atos do adulto.
Em verdade, o caos interno do indivíduo inconsciente quer, a todo custo custo, se manifestar no mundo exterior da realidade fática, fazendo-o escolher (processo de identificação) o que no mundo externo mais se assemelha a sua mazela interna, como forma (inconsciente) de alertar o indivíduo para a importância da conscientização, do autoconhecimento.
Caso a pessoa relegue essas questões a segundo plano, a encarnação do indivíduo inconsciente estará inevitavelmente comprometida.
Seja desperto, aproveite a encarnação para realizar o seu Darma, não para gerar mais Karma.
José Anastácio de Sousa Aguiar
Psicanalista, hipnoterapeuta e terapeuta de vidas passada