sábado, 16 de novembro de 2013

Crônica - O que você cimentou hoje? José Anastácio de Sousa Aguiar




Certa feita encontrei um conhecido que acabara de comprar uma casa nova. Ele ainda estava morando em seu apartamento, mas já fazia planos para o novo lar. Enaltecia as vantagens de sua nova morada, dentre elas o ambiente mais espaçoso que ele teria com a família em uma casa de 700 metros quadrados de terreno e com 400 de área construída. Ou seja, restavam 300 metros quadrados para o jardim.
Apaixonado por um belo jardim que sou, indaguei o que pretendia fazer com todo esse terreno. Ele me falou que, na verdade, parte do terreno era “tomado” pela piscina, e que ele planejava aterrá-la e com o restante, que era uma área verde com algumas plantas, ele tencionava cimentá-la.
Justificou tal desiderato afirmando que ambos, piscina e jardim, eram muito trabalhosos e iria consumir muito do seu tempo, que ele pretendia passar assistindo filmes na televisão. Argumentou ainda que das árvores caiam muitas folhas, que ele certamente teria que juntá-las e que a grama necessitava regar todo dia e ele certamente não perderia seu tempo em uma atividade tão banal.
Pois bem, desconheço se o meu conhecido realizou seus planos, mas se assim o fez, ele certamente esquece que para que possamos ter satisfação e alegria, necessariamente teremos que ter algum tipo de esforço. Aquele que pretende passar por esta existência cimentando o seu dia a dia, certamente não desfrutará dos pequenos prazeres da vida. Como asseverava Saint Exupery: “Foi o tempo que dedicaste a tua rosa, que a tornou única para você.”
José Anastácio de Sousa Aguiar