sábado, 4 de julho de 2015

Caso Clínico em Psicanálise VI – O potencial curativo da Terapia de Vidas Passadas; ou TVP, realidade ou produto do inconsciente? José Anastácio de Sousa Aguiar


Por mais que tentasse, Cassandra não conseguia relacionar-se bem com a filha. Ela me dissera que já havia tentado tudo, havia inicialmente procurado os grupos de aconselhamento da sua congregação religiosa, depois tentara o acompanhamento por meio de um psicólogo e, recentemente, tentara um psiquiatra, todos sem o menor sucesso.
Relatou-me a aflita mãe, que sua filha mais nova desde tenra idade demonstrara desconforto em sua presença, e a situação só se agravara com o passar dos anos. Atualmente, já com 19 anos de idade, Poliana permanecia arredia à mãe. O relacionamento da referida jovem com seu pai e os outros irmãos mais velhos, apesar de tenso, estava na casa do aceitável.
Após duas sessões de terapia tradicional, sugeri à Cassandra que tentássemos uma hipnose, que poderia tanto proporcionar um estado de relaxamento a sua angustiada realidade, bem como poderíamos obter informações valiosas que facilitassem a terapia. Ela informou que apesar de já haver ouvido falar da existência da hipnose, desconhecia o seu potencial curativo. Seria, então, a sua primeira sessão.
Pois bem, ao longo de três sessões, Cassandra descreveu-me, sob forte emoção, que sua filha em duas ocasiões em vidas passadas era sua opositora: a primeira num cenário político na guerra de secessão americana; e a segunda, mais recente, no final do século XIX, vieram como homens que disputavam a conquista de uma mesma mulher. Os dados obtidos permitiram potencializar o efeito curativo da terapia analítica, e atualmente ambas, após compreenderem os sentimentos envolvidos que as afastava, permitiram-se o perdão mútuo.
Após um não breve tratamento, Cassandra perguntou-me se seria real ou fruto de seu inconsciente os eventos que ela presenciou em vidas passadas. Respondi que ela seria a melhor pessoa para responder esta pergunta, posto que o que ela vivenciara era personalíssimo e somente ela poderia fazer este julgamento. Após uma breve reflexão, asseverou: “Realmente, nenhuma palavra poderia descrever o que senti, vi e vivi, mas o que realmente importa é a minha redenção dos erros passados e a nova oportunidade que estou tendo de recomeçar com consciência e paz”.    
José Anastácio de Sousa Aguiar
*nomes, sexos e alguns detalhes foram alterados para proteger a identidade dos pacientes.